HISTÓRICO

História da Fazenda Santa Cecília

Desenvolvida a partir de uma das maiores fazendas da época, a Fazenda Santa Carlota, fundada por José de Sampaio Moreira em 3 de novembro de 1899, a Fazenda Santa Cecília se tornou rapidamente na época uma das maiores produtoras de café da região.

Sólidos investimentos, como a plantação das melhores mudas, a escolha dos melhores terrenos, a construção de edifícios e recursos fundamentais para o desenvolvimento da cultura do café, como terreiro, tulha, armazéns e a estação de estrada de ferro, que ligava a Fazenda diretamente com o Porto de Santos para a exportação do produto, fizeram com que o seu crescimento fosse rápido.

Para acompanhar esse desenvolvimento, foram necessárias mais algumas adaptações, como a construção de uma colônia composta por 35 casas para abrigar os colonos vindos da Itália. A colônia era alimentada por energia elétrica própria, produzida em uma usina hidroelétrica instalada em uma queda d'água do rio que corta as terras da Fazenda.

No auge do café, seu conjunto arquitetônico ainda passou por mais uma expansão, incluindo a construção de: clube, farmácia, Igreja, escola, haras, piscina, casa de bonecas e uma sede bastante luxuosa que abrigava toda a família e seus convidados, sobretudo políticos e representantes da Igreja Católica. Após a reestruturação, a sede também passou a ser ponto de encontro e confraternização dos cajuruenses, que promoviam diversos piqueniques, festas e bailes.

Estação Sampaio Moreira

Com 3.200 alqueires de terra, conquistados e adquiridos ao longo de décadas de história, a Fazenda que deu origem a atual Fazenda Santa Cecília ainda abrigava uma reserva florestal de 1.200 alqueires. Com uma vegetação típica de Mata Atlântica, a reserva se transformou anos mais tarde em um patrimônio ecológico, sendo tombado pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico) e teve a boa parte de sua área total mantida como parte fundamental da própria Fazenda Santa Cecília.

Formada por 370 alqueires, a Fazenda Santa Cecília, pertencente a Sra. Cecília, neta de Sampaio Moreira, foi desenvolvida a partir da antiga sede da grande fazenda, segmentada devido à crise do café de 1929 e à contínua transição de poderes entre as gerações, que descendiam do seu patriarca.

Igreja

Apesar de algumas reduções estruturais ocorridas, como a diminuição do número de casas dos colonos, atualmente a Fazenda Santa Cecília ainda possui um total de 10.000m² de área construída e que podem ser reutilizados normalmente mediante a uma simples restauração. Além disso, a Fazenda preserva a maioria dos equipamentos utilizados na produção do café e que ainda se encontram em funcionamento.

A propriedade também mantém 74 alqueires de mata nativa tombados pelo DPRN (Departamento de Proteção dos Recursos Naturais) que são utilizados por biólogos e estudiosos da USP - Universidade de São Paulo - como centro de pesquisas da fauna e flora nativa da região. Nesses estudos já foram registradas ocorrência de quatis, veados, tucanos, macacos e vários outros animais em risco de extinção, como a onça pintada.

Tulha

O Coronel ganhou essa propriedade como herança de seu pai Capitão José Caetano de Figueiredo.

José de Sampaio Moreira (1866-1943) construiu na Rua Líbero Badaró/Centro, o primeiro aranha céu dessa cidade. Esse edifício de múltiplos andares também é um dos primeiros do país a apresentar tal tipologia. Leia Mais: http://www.spinfoco.com.br/sampaio-moreira/

Seu pai, o português Francisco de Sampaio Moreira veio para o Brasil no começo do século 19 e prosperou no comércio e em investimentos na indústria têxtil.

Joaquim de Almeida Bessa Souza também foi um talentoso artista plástico. Confira algumas de suas obras clicando aqui:

 

“O CAFÉ PRA VALER, VINHA DA SECÇÃO ITAOCA.
EM 1981 VEIO UM GEADÃO...”

O <Sr. José Benedito Nunes (1952), é um ex-funcionário da Fazenda Santa Carlota. Durantes as décadas de 1970 e 1980 vinha á Seção Sede, atual Fazenda Santa Cecília, para receber seus honorários e buscar remédios para as criações da Seção Itaoca onde trabalhava.
Conheça um pouco mais sobre este período da Fazenda, através da experiência do Sr. José, conferindo a entrevista que foi concedida no final de 2013!

“Sou de São Sebastião do Paraíso/SP, vim para Cajuru com 07 anos de idade. Trabalhei em outros lugares e depois vim trabalhar na Santa Carlota, na secção Itaoca. Isto foi nas décadas de 1970 e 1980. Eu vinha muito na Sede, a cavalo, para receber e pegar remédios para os cavalos e para o gado. No curral trabalhava o retireiro e campeiro. Tinha a bezerreira, era lá que fazia a ordenha de leite. O curral principal era pequeno, o gado era Gir e Nelore. Um gadinho tatú com cobra mas, na Seção Itaoca tinha InduBrasil e Caracu. Na Sede, tirava de 30 a 40 litros por dia.”

 

“Na Itaoca, chegamos a tirar 500 litros por dia. Dentro do curral tinha uma banheira grande, a gente colocava remédio na água. Os cavalos passavam, tomavam banho e já saiam medicados. Também criavam jegue para cruzar com égua, assim tirava burro e mula para o serviço.”

 

“Lembro do cômodo que ficava perto do curral, lá tinha uns tonéis de pinga. A madeira era pereira ou óleo bálsamo, não lembro bem. A pinga vinha do engenho. Lá, eles produziam açúcar escuro também. Na minha época, já não tinha mais. Eu conheço a cavalo tudo isto aqui, cada palmo deste chão, da Itaoca até a Barrosa. No chiqueiro, eles criavam o porco simental. Lembro da marcenaria, carpintaria, quando precisava, guardava sacas de arroz, de mantimento. Aqui na Sede só tinha uma lavorinha de café perto da igreja. No rumo da cana, oh!, ficava bem alí.”

Sr. José Benedito Nunes ao lado do Tulha.
Acervo Fazenda Santa Cecília.
Foto: Luciene Belleboni, 2013.

 

O café pra valer vinha da Secção Itaoca. Ai em 1981 veio um geadão e acabou com a plantação. Dá uma saudade do café, era movimentado na época da safra, o caminhão vinha cheio de gente, a colônia ficava cheia de gente, bonito de ver, dá saudade. Neste armazém guardava adubo, vinha de São Simão. Até os retireiros ajudavam descarregar o caminhão. O paiol era alto para o rato não subir... A carreta em pareava e jogava o milho lá dentro. Isto de 40 anos para cá. O barracão das máquinas era o lugar onde o arroz aqui plantado era descarregado e abanado. Chegava muito arroz aqui, comida para o povo.”

 

“No armazém grudado no barracão, ficava a máquina de beneficiar arroz, o mantimento de todo o dia. Ai colocava adubo quando não tinha arroz, era lugar de guardar cereais. A sereia tocava as 6h50, às 13h às 17h. Quando tinha incêndio, gado na pista ou alguma outra coisa de perigo, ela tocava sem parar para avisar a gente. Esse toque era diferente dos outros. Por algum tempo, a estação de trem foi usada como deposito de milho, enchia tudo de milho debulhado. Muito, muito importante o que está sendo feito aqui, mantendo a história, aqui foi que aconteceu a vida de muitas pessoas. Essa fazenda continua coisa bonita de se ver.”

 

“Desde o descobrimento do país, restam apenas 7% de toda a sua extensão original da Mata Atlântica. A Fazenda Santa Cecília faz parte dessa porcentagem. Abriga uma das mais importantes Áreas restantes dessa Mata do Estado de São Paulo. Mantém 74 alqueires de mata nativa tombados pelo Departamento de Proteção dos Recursos Naturais (DPRN).
Por sua biodiversidade a Fazenda Santa Cecília foi objeto de estudos de pesquisadores do conhecimento científico.